terça-feira, dezembro 16, 2008

Mademoiselle Chat

Por onde começar? Pelas melodias sinuosas e serenas? Pelas letras maduras e fabulosas? Pela simplicidade do acto de abrir a porta a desconhecidos? Deixem-me pensar... que tal começar tudo por Lisboa, sempre o meu ponto de partida, numa noite de primavera, parece-me bem, era o dia da festa de lançamento do álbum do amigo Walter, e segundo parece ia haver uma surpresa especial, vinha uma miúda francesa tocar piano com ele, uma tal de Chat, muito esbelta e parisiense, cara de gata e dedos compridos, como só os verdadeiros pianistas os conseguem expandir, para chegar àquela nota. Ela tocou e cantou com ele, e nós ouvimos com atenção. Cá me ficou. Myspace e tal, passaram-se meses e tal, vou para Paris e tal, fim-de-semana em Rennes e tal, e a Chat tocava nesse mesmo sábado nessa mesma cidade. Depois de uma hora em busca do local: esgotado! Obrigado Deus, e fomos embora. Se a história acaba aqui, então eu não tinha visto um dos melhores e mais sossegados concertos da minha vida... passo a explicar: chat squatte votre appart; isto é, sabes que ela vai a Paris, tens um apartamento em Paris e consegues enfiar trinta pessoas lá dentro, mandas o mail aos senhores que organizam, dizes dia e hora, eles afixam no myspace; eu vejo o myspace, estou disponível, mando mail com meu nome, nome de acompanhantes e telefone, e no dia do concerto recebo por sms a morada; compro um vinho jeitoso e apareço à hora combinada, toco à porta e quem a abre, quem? Chat. Obrigado por virem diz ela!!! E a malta fala, e não se conheçe ninguém; enchemos os copos, acomodamo-nos no sofá e voilá! E mais não digo... atenção aos links, vão ouvir, e um dia quando ela cá voltar, ponham à sua disposição o vosso apartamento, encontrem no vosso lar o portal para um outro mundo, em que os suspiros se soltam como novelos caindo de escadas aos trambolhões, e em que se escutarem com atenção, vão conseguir ouvir os segredos mais sagrados, tanto da luz como das trevas... a sério.



2 comentários:

R.L. disse...

n li. foi p dizer q voltei.

Athomos disse...

speechless...