quinta-feira, julho 02, 2009

até à volta da Asa Branca



"Quando o verde dos teus olhos se espalhar na plantação, eu te asseguro, não chore não viu, que eu voltarei viu, meu coração"; O imaginário desta canção traz-me sempre sensações genuínas, o lirismo das palavras que a compõem é forte e tocante e a força pujante da sua composição, embora triste, carrega uma esperança e um positivismo que enternece e arrepia. Há um drama patente neste obra imortal que é comum a todo o mundo, não há fronteiras na tragédia telúrica da secura dos campos, na morte messiânica da terra, que promete sempre um ressurgimento de vida; e há uma carga tão grande de humanidade neste imaginário, de rendição da condição humana às forças incontroláveis da grande mãe, penso nisso e lembro-me de Steinbeck e do seu deus desconhecido, lembro-me dos homens que trabalham a terra, que veneram a injusta natureza porque dela dependem. E podemos pensar como gente citadina que isto se calhar já não existe: como estamos errados! O homem que como a ave "asa branca" abandona a terra que lhe pertence, a que pertence, e a sua vida e a sua amada com uma desenfreada esperança de retorno, ele ainda existe em muitos lugares, e sentiria esta canção na sua pele, de uma forma que eu nunca me aproximei de sentir na imaginação, mas que penso compreender, que me toca profundamente.

"Quando oiei a terra ardendo
Qual a fogueira de São João
Eu preguntei a Deus do céu,ai
Por que tamanha judiação

Que braseiro, que fornaia
Nem um pé de prantação
Por farta d'água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão

Inté mesmo a asa branca
Bateu asas do sertão
"Intonce" eu disse adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração

Hoje longe muitas légua
Numa triste solidão
Espero a chuva cair de novo
Pra mim vortar pro meu sertão

Quando o verde dos teus óio
Se espanhar na prantação
Eu te asseguro não chore não, viu
Que eu vortarei, viu
Meu coração"

Humberto Teixeira/Luís Gonzaga

3 comentários:

R.L. disse...

os teus textos são tão bonitos.

A Rainha disse...

Faço das palavras da little wings, as minhas palavras :)

oui c'est moi disse...

aiaiai. é téra molhada. é cheiro di boi. é brasiu do sertão. é imigranti a sertanejar nessa cidai bem comportada (que aqui também há brasiu viu). é canção di voá pá lunji. é mané do café éee joão ée josée. quero choro, brasiu e chope con voceis. e cantá.